quarta-feira, 17 de dezembro de 2014
Sugestões de leitura para os mais pequeninos
terça-feira, 8 de julho de 2014
O livro
É então isto um livro,
este, como dizer?, murmúrio,
este rosto virado para dentro de
alguma coisa escura que ainda não existe
que, se uma mão subitamente
inocente a toca,
se abre desamparadamente
como uma boca
falando coma nossa voz?
É isto um livro,
esta espécie de coração (o nosso coração)
dizendo 'eu' entre nós e nós?
Poema de Manuel António Pina, "Como se desenha uma casa", edição Assírio e Alvim
sábado, 26 de abril de 2014
Poemas de Abril
| Natália Correia
SONETO DE ABRIL
Evoé! de pâmpano os soldados
rompem do tempo em que Evoé! a terra salvé rainha descruzando os braços com seu pé de papiro pisa a fera.
Na écloga dos rostos despontados
onde dos corvos se retira a treva, de beijo em beijo as ruas são bailados mudam-se as casas para a primavera.
Evoé! o povo abre o touril
e sai o Sol perfeitamente Abril maravilha da Pátria ressurrecta.
Evoé! evoé! Tágides minhas
outras vez prateadas campainhas sois na cabeça em fogo do poeta.
(Inédito)
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| PoemAbril Antologia de autores organizada por Carlos Loures e Manuel Simões Fora do Texto - Cooperativa Editorial de Coimbra, CRL. Coimbra, 1994 |
| Sérgio Godinho
0 DIA INCOMUM DE UM EXILADO
VIVENDO ENTÃO EM VANCOUVER
Era muito longe, ou seja
no Pacífico Notícias de jornal, confusas: tanques ocupam a praça central de Lisboa Digo-me: mal eles sabem que se chama Rossio mas digo-me também: se é a revolução daquele do monóculo pouco tenho a esperar Depois espanto-me: como é possível que libertem assim sem mais nem menos os presos políticos e prometam a autodeterminação de colónias economicamente tão preciosas? 0 povo saiu à rua e foi isso que mudou tudo, explicam-me então pelo telefone.
No dia em que abalei
para aqui ficar deixei sem remorsos: a minha horta cujos legumes tantas vezes protegi um trabalho que tanto suspeitava amar e os amigos que, querendo ser generosos, me disseram:
«Vai, vais ver que não te arrependes»
Esquece-se muita coisa...
a força de ver caras novas não sei se me lembro das antigas embora as veja tão bonitas e disponíveis na memória e por vezes em fotografia.
(Inédito)
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| PoemAbril Antologia de autores organizada por Carlos Loures e Manuel Simões Fora do Texto - Cooperativa Editorial de Coimbra, CRL. Coimbra, 1994 |
Foram dias foram anos a esperar por um só dia.
Alegrias. Desenganos. Foi o tempo que doía
Com seus riscos e seus danos. Foi a noite e foi o dia
Na esperança de um só dia.
Foram batalhas perdidas. Foram derrotas vitórias.
Foi a vida (foram vidas). Foi a História (foram histórias)
Mil encontros despedidas. Foram vidas (foi a vida)
Por um só dia vivida.
Foi o tempo que passava como nunca se passasse.
E uma flauta que cantava como se a noite rasgasse
Toda a vida e uma palavra: liberdade que vivia
Na esperança de um só dia.
Musa minha vem dizer o que nunca então disse
Esse morrer de viver por um dia em que se visse
um só dia e então morrer. Musa minha que tecias
um só dia dos teus dias.
Vem dizer o puro exemplo dos que nunca se cansaram
musa minha onde contemplo os dias que se passaram
sem nunca passar o tempo. Nesse tempo em que daria
a vida por um só dia.
Já muitas águas correram já muitos rios secaram
batalhas que se perderam batalhas que se ganharam.
Só os dias morreram em que era tão curta a vida
Por um só dia vivida.
E as quatros estações rolaram com seus ritmos e seus ritos.
Ventos do Norte levaram festas jogos brincos ditos.
E as chamas não se apagaram. Que na ideia a lenha ardia
Toda a vida por um dia.
Fogos-fátuos cinza fria. Musa minha que cantavas
A canção que se vestia com bandeiras nas palavras:
Armas que o tempo tecia. Minha vida toda a vida
Por um só dia vivida.
Alegrias. Desenganos. Foi o tempo que doía
Com seus riscos e seus danos. Foi a noite e foi o dia
Na esperança de um só dia.
Foram batalhas perdidas. Foram derrotas vitórias.
Foi a vida (foram vidas). Foi a História (foram histórias)
Mil encontros despedidas. Foram vidas (foi a vida)
Por um só dia vivida.
Foi o tempo que passava como nunca se passasse.
E uma flauta que cantava como se a noite rasgasse
Toda a vida e uma palavra: liberdade que vivia
Na esperança de um só dia.
Musa minha vem dizer o que nunca então disse
Esse morrer de viver por um dia em que se visse
um só dia e então morrer. Musa minha que tecias
um só dia dos teus dias.
Vem dizer o puro exemplo dos que nunca se cansaram
musa minha onde contemplo os dias que se passaram
sem nunca passar o tempo. Nesse tempo em que daria
a vida por um só dia.
Já muitas águas correram já muitos rios secaram
batalhas que se perderam batalhas que se ganharam.
Só os dias morreram em que era tão curta a vida
Por um só dia vivida.
E as quatros estações rolaram com seus ritmos e seus ritos.
Ventos do Norte levaram festas jogos brincos ditos.
E as chamas não se apagaram. Que na ideia a lenha ardia
Toda a vida por um dia.
Fogos-fátuos cinza fria. Musa minha que cantavas
A canção que se vestia com bandeiras nas palavras:
Armas que o tempo tecia. Minha vida toda a vida
Por um só dia vivida.
Manuel Alegre
sexta-feira, 25 de abril de 2014
Os 40 anos do 25 de Abril de 1974 na Biblioteca Municipal
Mostra
documental “Canções de Abril"
A
Biblioteca Municipal recorda alguns dos autores e canções que ajudaram a
construir o espírito de abril e constituem páginas da história contemporânea do
nosso país, numa mostra documental – patente até 3 de maio – que assinala os 40
anos do 25 de Abril de 1974.
Mostra
documental dedicada a Cristina Torres
O
Arquivo Histórico Municipal participa nas comemorações dos 40 anos do 25 de Abril
de 1974 com uma mostra documental – patente até 7 de maio – dedicada a Cristina
Torres (21/03/1891 - 01/04/1975).
Mulher
simples e voluntariosa, obreira de uma persistente atividade pedagógica e
política, dirigida aos desfavorecidos, ao operariado e às mulheres. Cristina
Torres acabou por ser vítima da sua corajosa oposição ao salazarismo e ao
Estado Novo, saudando assim com grande emoção e alegria a
chegada do 25 de Abril de 1974, tendo a felicidade de, pela segunda
vez na sua vida, festejar nas ruas da Figueira da Foz a mudança de regime
político; 64 anos depois de se empenhar no triunfo da República, era a vez de
assistir ao início da Democracia, pela qual tanto tinha lutado.
Ofereceu
o seu espólio, constituído por correspondência, discursos, panfletos,
documentos biográficos, fotografias, etc., à Biblioteca e Museu, e é parte
desse espólio, hoje sob a alçada do Arquivo Histórico Municipal, que irá estar
patente nesta pequena mostra.
quarta-feira, 23 de abril de 2014
23 de Abril de 2014, Dia Mundial do LIvro
segunda-feira, 14 de abril de 2014
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